• Mayra Fragiacomo

Contagem regressiva para 2022: o que esperar desse novo ciclo?



O final de cada ano sempre traz, especialmente para profissionais que trabalham com Recursos Humanos, a necessidade de refletir e pensar sobre as tendências e o futuro do trabalho. Isso é inerente ao nosso ofício e uma grande oportunidade para avaliarmos o ano que está se encerrando e nos prepararmos, de certa forma, para o novo ano que está chegando.

2021 foi um ano cuja principal tendência foi RESISTIR. Forçadamente adaptados a um novo cenário estabelecido pela pandemia, a maioria dos trabalhadores iniciou suas jornadas profissionais em home office e já ouvindo de suas empresas sobre a possibilidade desse modelo se tornar híbrido tão logo a pandemia começasse a mostrar sinais de um possível relaxamento.


Exceção se fez, evidente, a muitos outros profissionais da chamada linha de frente – aqueles que nunca pararam de se deslocar para a execução de seus trabalhos, nem mesmo quando o caos ameaçava a tudo e a todos. Profissionais das áreas da Saúde, Varejo, Limpeza, Facilities, Entregadores, Motoristas de Aplicativos e um sem fim enorme de categorias que sempre estiveram fora de suas casas para garantir que tantos outros pudessem trabalhar no “conforto” de seus lares.

A resistência se deu, neste ano que está quase acabando, em âmbitos diferenciados. Influenciado por uma crise política e econômica sem precedentes, o mercado sofreu duras consequências e isso refletiu na vida do trabalhador.

Enquanto muitos tiveram que lutar contra o desemprego, os que estavam empregados igualmente lutaram: sobrecarga de atividades, desenvolvimento de doenças relacionadas ao trabalho, adaptação forçada pela nova rotina híbrida, gestão de tempo em infinitas reuniões remotas possibilitadas pela tecnologia e a necessidade de uma atuação mais autônoma e com menor desenvolvimento pelas lideranças, entre tantos outros aspectos.

Como toda situação adversa, nos vimos envoltos pelos lados positivo e negativo da necessidade de termos que resistir. E passamos a precisar desenvolver uma mentalidade cada vez mais curiosa e criativa para driblar tais adversidades e propor soluções. Ou seja, confortavelmente ou não, aprendemos muito – de formas intencionais e não intencionais.


Entramos mais rapidamente em discussões e práticas que sempre se fizeram necessárias para a evolução do mercado de trabalho: nunca falamos tanto sobre temas como meritocracia, diversidade, inclusão, precarização do trabalho, inovação, transformação digital, cultura organizacional e por aí vai.




E todo esse contexto nos leva a pensar qual será a principal tendência de 2022 para o trabalho. Difícil definir o futuro breve do trabalho em uma só palavra, ainda mais depois de tantas mudanças e tendências adiantadas em tão curto espaço de tempo. Mais do que palavras de efeito, lições de sabedoria ou especulações, ouso dizer, após uma retrospectiva tão realista, que as organizações que colocarem o componente humano em primeiro lugar no novo ano que está quase batendo em nossas portas serão, certamente, as mais assertivamente inovadoras.

Que empreendedores e empresas se apoiem em tecnologia, evidente, mas sem abandonar a preocupação com a saúde mental e o bem-estar de seus colaboradores. Que novos formatos que sejam interessantes ao crescimento dos negócios sejam implantados, claro, mas sem confundir flexibilização com precarização. Que pautas importantes para a promoção de acesso a grupos minoritários sejam amplificadas, com certeza, mas motivadas mais por igualdade e menos por lucratividade. Que novas oportunidades sejam criadas e permitam que milhares de desempregados retornem ao mercado, seguramente, mas com salários justos e planejamento de atividades.


Meus votos para um 2022 de sucesso e alta performance, por fim, residem no reconhecimento de que o ser humano sempre foi e sempre será a maior força para o futuro do trabalho. E, por isso, a maior tendência em qualquer ano será sempre respeitá-lo!


Mayra Fragiacomo