• Mayra Fragiacomo

Afinal, o que faz a área de RH?



Essa é uma pergunta recorrente feita a todo e qualquer profissional de RH, posso afirmar com máxima convicção. E a resposta mais parece um enigma da esfinge: “Decifra-me ou te devoro!”

Não posso deixar de escrever esse texto sem me lembrar de quando eu fui procurar emprego pela primeira vez. Fiz um currículo à mão (um modelo comprado em papelaria), entreguei alguns pessoalmente, outros mandei por carta e, depois, fiquei esperando as ligações para entrevistas. A primeira ligação que recebi foi de uma pessoa que se apresentou como “X, do RH da empresa Y”. Eu desliguei o telefone e pensei: “O que é RH? O que será que isso significa em uma empresa?”

Muita coisa mudou desde então, já que essa ligação faz um certo tempo. A começar pelo formato de busca de empregos que hoje adota mais tecnologia do que nunca, na maioria dos casos. Mas o interessante é que a resposta sobre o que a área de RH faz e representa para uma empresa segue sendo difícil de ser respondida com máxima exatidão, especialmente pelo fato das mudanças sofridas pelo mercado de trabalho ao longo dos últimos anos. Existe, sem dúvida, uma linha do tempo de acontecimentos e da evolução do significado da área de RH dentro das organizações.

Há muito tempo, a área de Recursos Humanos era mais burocrática e administrativa, lidando mais exclusivamente com processos relacionados à administração de pessoas. Isso se desdobrou até para nomenclaturas da área e dos profissionais que nela atuam, dada à sua versatilidade nos tempos atuais. Se antes eram chamadas de DP ou RH puramente, hoje temos novos nomes: Gestão de Pessoas, Gente & Gestão, Talentos Humanos, People, entre outras. Existem empresas que criam nomes personalizados e diferentes para suas áreas de recursos humanos; recentemente vi uma empresa que chama seu RH de VIP - Valores Integrando Pessoas. Os cargos de profissionais que nela atuam acompanham os nomes escolhidos para a área por cada instituição, evidentemente.

Mas um fato é que, atualmente e com variações a depender de porte, nacionalidade, gestão e cultura, a área de RH é cada vez mais ESTRATÉGICA para uma corporação. E isso porque, mesmo parecendo óbvio, cada vez mais as empresas percebem que suas PESSOAS são o seu PRINCIPAL ATIVO. E, para cuidar desse CAPITAL HUMANO, não basta mais que ela seja somente administrativa. A área precisa estar cada vez mais focada em desenvolver estratégias que POTENCIALIZEM suas PESSOAS.

Potencializar pessoas se dá por inúmeros subsistemas de RH, todos com igual relevância. Desde seguir administrando com precisão todos os processos burocráticos (Administração de Pessoal) até a pensar nas melhores práticas de retenção, monitorando sempre a satisfação de todos (Pesquisa de Clima).



Uma área abrangente de Gestão de Pessoas atua, ou tenta atuar, em toda a jornada de suas pessoas dentro da organização: sua entrada (Recrutamento, Seleção, Aquisição, Admissão, Atratividade, Employer Branding e Experience, Desempenho, Remuneração, etc), sua permanência (Desenvolvimento Humano Organizacional, Treinamento, Comunicação Interna, Cultura, Inclusão, Diversidade, etc) e até a sua saída (Demissional e Boas Práticas de Demissão Responsável – Outplacement).

Não é preciso ser uma grande empresa para ter uma área de RH que atue em todas as pontas de forma estratégica. As organizações podem ser pequenas, desde que tenham uma mentalidade grandiosa que as permita entender que o RH pode transformar suas pessoas e, consequentemente, suas relações internas. E pessoas transformam as organizações (sociais ou corporativas) e a sociedade como um todo. Aquela garota que procurava emprego, sem saber o que fazia uma área de RH, hoje é uma profissional orgulhosa de contribuir com várias empresas por meio da cocriação de estratégias de recursos humanos. Hoje EU SOU RH e tenho certeza que irei transformar e evoluir muito mais com essa área tão importante para qualquer estrutura organizacional.



Mayra Fragiacomo