• Gabriela Savóia

A Psicologia entrou por acaso na minha vida.



Nos anos 80 as profissões da moda eram aquelas relacionadas à área de comunicação: Propaganda & Marketing, Cinema, Rádio e TV e Relações Públicas. Eu, como qualquer jovem normal, engrossava o coro e desejava conseguir uma vaga em um desses cursos na USP.

Mas, tendo sido estudante de escola pública por quase toda a minha formação de base e, além disso, um tanto acomodada, não consegui pontuar para um dos cursos mais procurados do momento.

O que não me impediu de ingressar na Universidade, pois havia pontuado para as “famosas” vagas remanescentes em outra Faculdade. Foi dessa forma que ingressei para o curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo em Janeiro de 1994.

Naquela ocasião as pessoas já entendiam a importância de formar profissionais da saúde focados num conhecimento mais atento e amplo do indivíduo no que concerne aos seus processos mentais, comportamentais e sua interação com o outro e o ambiente.

Foram 5 anos de expectativas em excesso (de minha parte, claro) em um ambiente promissor, mas ainda distante do que deveria ser um curso que forma um profissional com tamanha responsabilidade. Talvez hoje eu vivesse uma experiência diferente como universitária. Mas, com certeza, nenhuma escola supera a prática.

Saí da universidade acreditando que meu caminho seria iniciar e consolidar uma carreira clínica. Mas, logo de cara, isso se mostrou pouco promissor. Eu senti falta de recursos internos mais amadurecidos e aprofundados, aspecto que atribuo à minha pouca idade e ao fato de que estava engatinhando em minha própria análise. Além disso, clinicar pode ser um lugar muito solitário e implacável com os iniciantes. Insisti por 3 longos anos, mas acabei sucumbindo.

Durante minha formação, nunca dei muita atenção às outras possibilidades de atuação profissional na área de Psicologia. Acredito que, naquela época, eu cultivava um certo preconceito elitista e infantil de que somente a clínica (individual, de grupo ou até em instituições multidisciplinares) permitia o amplo exercício da profissão.

Claro que, durante minha formação acadêmica e profissional, tive a oportunidade de trabalhar em outras frentes como Psicologia Escolar, Psicologia Organizacional (RH) e Hospitalar, mas eu não encontrava espaço para exercer a minha escuta (ou não havia entendido como fazê-lo), sempre muito desenvolvida e atenta.




Precisei de anos e muitas reviravoltas profissionais para entender o valor e a importância de se ter um profissional de Psicologia dentro das organizações – principalmente nas áreas de DHO, RH, Diversidade e por aí vai. E que sim, há espaço para a escuta e pessoas com um olhar treinado para as necessidades do indivíduo no que se refere à sua subjetividade e o entendimento de como isso afeta suas relações, escolhas profissionais e o amplo desenvolvimento de suas funções dentro das corporações e organizações.

Hoje, como Consultora de RH e com as experiências que acumulei, entendo, respeito e defendo que o profissional de Psicologia deve participar dos grupos decisórios dentro das empresas, organizações do terceiro setor e entes governamentais, afim de garantir processos, leis e ações que facilitem os acessos, cuidem e zelem pelo pleno desenvolvimento profissional e psíquico dos indivíduos que compõem esses espaços de trabalho.

Por isso, nesse 27/08/2021, tenho orgulho de fazer parte da equipe Job Transition como Psicóloga, fortalecendo o propósito de sermos uma consultoria que se preocupa com o indivíduo em sua totalidade e que busca levar para os processos de RH de seus clientes um olhar comprometido e atento às humanidades e ao pleno desenvolvimento de suas pessoas dentro das organizações.

Parabenizamos assim, todos aqueles profissionais da área que acreditam em políticas que respeitam o indivíduo em sua integralidade, mantendo a empatia e fazendo valer os direitos das pessoas, a despeito de suas diferenças físicas, culturais, raciais, sociais e religiosas.

Gabriela Savóia